A realidade da juventude trabalhadora se transforma com grande rapidez. Muitas vezes, é difícil compreender fenômenos que ocorrem com este público e que, em um curto espaço de tempo, adquirem valores diferentes. Um olhar superficial não é suficiente para entender estes fenômenos, principalmente se tratando de sua percepção ao longo do tempo.
Para contribuir com este papel, a Juventude Operária Católica Brasileira apresenta a pesquisa sobre a juventude trabalhadora: Apontando Bandeiras de Luta. Esta pesquisa foi desenvolvida entre 2009 e 2010 em 14 cidades onde a JOC desenvolve suas ações e teve abrangência nacional, com destaque em três regiões: Sudeste, Sul e Nordeste do País.
O produto aqui apresentado é resultado do trabalho que atingiu cerca de 3 mil jovens trabalhadores/as e que foi desenvolvido pelos militantes e jovens contatos da JOC, os quais utilizaram a pesquisa como meio para compreender melhor as realidades vivenciadas pela juventude trabalhadora no período dos últimos dois anos (2009/2010). A tabulação e o resultado final apresentam um quantitativo menor, devido às dificuldades de logística para o retorno dos questionários, mas as sínteses foram enviadas pelas equipes militantes onde a pesquisa foi desenvolvida.
Esta pesquisa teve como objetivo perceber as maiores problemáticas vivenciadas pela juventude, como o
desemprego, precariedade das condições de vida e trabalho, violência, desvalorização da jovem trabalhadora, gravidez na adolescência, entre outras. Com estas situações devidamente identificadas, é possível apontar quais devem ser as bandeiras de luta da JOC Brasileira para os próximos três anos.
O processo foi desenvolvido em quatro etapas: coleta de dados, tabulação de dados, analise da pesquisa e divulgação do resultado. Cada etapa teve, em média, um semestre para se desenvolvida. Em cada uma delas, os jovens trabalhadores/as que têm contato com a JOC foram envolvidos. Diversas formas de organização foram utilizadas: espaços de lazer, reuniões de grupos, visitas a instituições, nos bairros, nas escolas e ONGs. Alem disso, trabalhou-se também através do contato direto com jovens, através de conversas individuais com amigos, vizinhos e familiares etc.
É importante ressaltar que a pesquisa possibilitou um maior número de outros jovens em torno das ações e atividades promovidas pela JOC Brasileira no período de execução da pesquisa. Alguns destes jovens envolvidos se identificaram com a proposta da JOC e passaram a fazer parte de grupos de base da JOC, construíram laços de amizade com as equipes militantes e participaram de encontros locais sobre direitos trabalhistas e políticas públicas.
Este trabalho propiciou, ainda, o contato com outras instituições e suas bandeiras de lutas, e com os jovens que fazem parte destas. Entre as organizações envolvidas, estão o Grupo Mulher Maravilha/PE, Movimento de Trabalhadores Cristãos (MTC)/PE, Associação dos Trapeiros de Emaús/PE, Centro das Mulheres de Vitória de Santo Antão/PE, Escolas estaduais de Fortaleza e Maracanaú/CE e de Caxias do Sul/RS, Associação Comunitária Girassol/SP, ONG Amazona/PB, Associação Cultural Odum Orixás/MG, Centro de Ação Comunitária (CEDAC)/RJ, entre outras.
Antes de qualquer coisa, a pesquisa tinha que ser um meio para as ações locais. Por isso, foi garantida a autonomia dos movimentos locais da JOC Brasileira. Ainda que, contando com um questionário padronizado, houve abertura para que as bases o adaptassem de acordo com a realidade da juventude em seu entorno. Como exemplo, temos a JOC da região Sul, que focalizou as questões em torno da problemática da saúde dos/as trabalhadores/as da educação.
Mesmo com todas estas estratégias, houve limitações. As condições de vida e trabalho dificultaram um maior acesso a juventude trabalhadora. Isto impossibilitou um maior número de jovens entrevistados. Ademais, verificamos que o fato da pesquisa ser volumosa gerou certa lentidão na sua execução, culminando no atraso no repasse dos resultados da pesquisa junto à juventude trabalhadora. Deste modo, um dos desafios para a JOC Brasileira para o ano de 2011 é trabalhar o repasse para os jovens e instituições, apresentando os resultados e qualificando as bandeiras de luta.
O fato de o Brasil caracterizar-se por sua dimensão continental leva a que as regiões, estados e municípios tenham aspectos muito diversificados em sua economia, em sua cultura e na condição social. Estes fatores se traduzem na realidade da juventude trabalhadora e nos desafia a encontrar aspectos centrais da realidade dos jovens para que possamos indicar bandeiras de luta comum a todos os jovens trabalhadores/as visando a transformação desta realidade.
Desta sistematização e resultados, podemos identificar algumas bandeiras de luta:
“Proteção social para a juventude trabalhadora”;
“Não a violência contra a juventude trabalhadora”;
“Igualdade de gênero em todos os aspectos da vida”;
“Emprego digno e não subempregos e nem desemprego”;
“Educação e formação profissional de qualidade”
Dando seguimento e passos frente a esta sistematização, estaremos construindo um planejamento estratégico para desenvolver ações frente a esta bandeira de luta e levando as reivindicações da juventude trabalhadora para o poder público, instituições e sociedade organizada.
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